Editorial: O vírus da mentira quando o medo o torna verdade

Banco de imagem gratuito. Foto: Colin Behrens - Pixabay

Neste domingo (29), o Maranhão registrou a primeira morte pela covid-19. A vítima foi um homem de 49 anos, com histórico de hipertensão. Em Matinha, até a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus no estado, no dia 20 de março, a cidade foi infectada primeiro por um outro vírus, que de longe não pode ser comparado com esse que gerou essa pandemia, mas que em momentos assim, de pura ansiedade e fragilidade emocional, também leva ao medo e ao desespero. As fake news ou notícias falsas.

O primeiro caso não é exatamente uma fake news, mas uma irresponsável e perigosa associação automática de alguém que supostamente poderia ter contraído o vírus. Como no famoso caso da italiana que veio para a cidade logo no início do surto da doença no país europeu. Como mostrou pelo Portal Matraca, a matinhense veio de uma região sem registro de casos do novo coronavírus.

Na última quinta-feira (26), logo depois da divulgação do boletim da Secretaria Estadual da Saúde (SES), que confirmou casos suspeitos nas cidades de Pinheiro, Matinha e Viana. Novamente esse irrefletido comportamento voltou a se manifestar, desta vez no povoado Aquiri. A redação do portal recebeu mensagens de leitores relatando que já estavam associando o resultado de um dos casos suspeitos de Matinha a uma moradora do povoado.

Especulações como essas se espalham rapidamente pelas redes sociais e aplicativos de troca de mensagens instantânea, como WhatsApp, por exemplo. E em tempos de coronavírus, associações como essas, ligadas ao analfabetismo digital e reforçadas por bolhas ideológicas, levam ao julgamento, a descriminação e ao linchamento social por meio dos comentários nessas plataformas.

É necessário ter responsabilidade e saber avaliar as consequências desse comportamento. No tribunal do WhatsApp, um suposto réu é condenado sem direito a defesa. Que tipo de cidadãos são esses que especulam, julgam e condenam pessoas sem que elas tenham sequer o direito de se defenderem? É compreensível que estamos suscetíveis ao medo, mas temos que adotar o hábito de nos alimentar de boas fontes. E, principalmente, parar de compartilhar conteúdo cuja origem é desconhecida.

Cenários de crise alimentam a propagação de fake news, e se atrever a informar-se com qualidade é um dos desafios dessa pandemia. Quem divulga notícia falsa age por impulsividade e o faz quase de maneira inconsciente. Porque ao compartilhar informação não checada, a pessoa divulga algo já incorporado como verdade, apenas para validar aquilo em que já acredita, porque esta mesma pessoa está convencida de que é detentora de uma novidade que deve ser contada com urgência.

É assim que os áudios, vídeos e as correntes de textos de “especialistas” se proliferam no WhatsApp. Em Matinha, resta saber onde as consequências de uma novidade não checada pode nos levar.


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